Kpop e eu: Uma história de amor e ódio

kpop e eu - uma história de amor e ódio
Imagem: Diva Carol Lima (CL)

Se você é kpopper talvez se identifique com este texto. Talvez não. Na verdade, não tentarei adivinhar sua opinião, mas espero que compartilhe comigo depois de ler este texto.

Em meados de 2009 aparece como sugestão na minha playlist o MV Sorry Sorry do Super Junior. Tenho que admitir que minha primeira reação foi de estranhamento, mas não foi “Nossa, que estranho”, era algo parecido com “Nossa, que diferente! Nunca vi algo assim antes”. E este dia entrou para história, no caso, da minha história. Afinal o primeiro MV a gente nunca esquece.

Eu poderia dizer que parei por ai, e que este é apenas um capitulo da minha vida, onde ouvi uma música diferente. Mas não, não posso dizer isto. Pois tudo mudou depois de um tempo. Outros grupos começaram a entrar na minha vida, e quando vi, ninguém conseguia entender os nomes das músicas na minha playlist, a maioria estava em coreano.

Qual o problema de gostar de kpop? Nenhum se coisas estranhas não acontecessem com os kpoppers. Que coisas estranhas são estas?

Primeiro, você não fica satisfeito em apenas ouvir kpop: você insiste em usar expressões em coreano, mesmo que ninguém te entenda; você quer se vestir como KIdol, mesmo que as pessoas no Brasil te achem ridículas; você quer comer comida coreana, mesmo odiando pimenta; você começa a assistir dramas coreanos, programa coreanos e se você é jornalista como eu, telejornais coreanos; não saber coreano não te impede de cantar as músicas. E esta lista ficaria grande demais, se eu não parasse por aqui. Basicamente a Coreia passa a fazer parte do seu dia a dia. No entanto, apesar de você achar isso incrível, a maioria das pessoas não vão fazer ideia do que você está falando.

Você fica feliz, vibra e se necessário fica acordado até tarde esperando o lançamento do MV de algum grupo que você goste. No entanto, acaba ficando de fora de muitas conversas por não saber cantar a música do carnaval, ou o que aconteceu nas novelas. Sua vida social vai dar uma abalada, principalmente se você não é de São Paulo, porque os eventos sobre isto são poucos, e os fãs são contados no dedo. Ser kpopper é ficar feliz com uma sala de kpop em evento de anime, e as vezes nem isto você tem.

Você mostrar kpop para seus amigos e insiste até eles gostarem. E claro, você ouve dos amigos que não gostam, AINDA, várias piadinhas sobre asiáticos. Muitas envolvem órgãos genitais.

É normal brigar quando uma estranho fala que “os seus coreanos” parecem mulheres. E brigar mesmo. Mas concordar e rir, quando um outro kpopper fala a mesma coisa, porque entre a gente, os comentários são de amor.

É pagar caro em um CD, esperar 3 meses para ele chegar, e se você der azar pagar cem reais de taxa alfandegária. Você fica estressado, briga e xinga, por ter gasto duzentos reais em 1 CD. Mas quando finalmente pega o envelope, começa a pular antes de abrir. E quando abre e vê o card do seu integrante favorito você começa pensar que foi um dinheiro bem gasto. Você abraça o CD, beija o CD, mas continua ouvindo as músicas pela internet e no celular, e não no CD que você gastou uma fortuna.

O “mundo do Kpop” é o lugar onde os homens podem usar maquiagem, ter cabelos coloridos e os mais diversos penteados. Homens e mulheres podem ser fofinhos, sensuais ou ter um estilo andrógino e ainda ser um símbolo de beleza.  Onde um grupo de garotos pode colocar um saltão e apresentar uma coreografia de um girlgroup e não ser julgado por isto. O Idols são extremamente agradecidos ao seus fãs, e demonstram isto diariamente. Quando tem apenas um representante do kpop em alguma votação, os fãs de juntam e apoiam este representante independente do seu grupo favorito, e caraca nestes momentos aparecem pessoas do nada para ajudar nas votações.

Nossa, realmente parece ser incrível o “mundo do kpop”, né? E é, mas nem tudo são rosas. Porque neste mesmo lugar, o racismo, a homofobia e o machismo ainda existe, mesmo que de forma mascarada (esta parte mais na Coreia, do que no Brasil). Muitos fãs, se decepcionam quando os ídolos assumem um relacionamento, e alguns deles deixam de ser fã. É onde a magreza excessiva é extremamente valorizada, a ponto de que quem veste 38 ser considerado acima do peso. Onde grandes indústrias dominam o mercado a ponto de impedir que grupos talentosos de pequenas empresas alcancem o sucesso. E infelizmente, onde eu vi as brigas entre fandoms mais chatas, levando em consideração que os fãs de kpop, mesmo que de grupos diferentes, normalmente sofrem as mesmas coisas.

É, minha história com o kpop varia entre o amor e o ódio, a empolgação e o estresse e a felicidade e desapontamento. Gostaria de dizer que tudo é perfeito por aqui, mas minha religião me impede mentir.

Para qual lado tende a sua história com o kpop? Eu adoraria saber a sua opinião.

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4 comentários sobre “Kpop e eu: Uma história de amor e ódio

  1. Completamente a vida de um kpoper,no meu caso eu já conhecia e odiava,mas quando se tem uma amiga kpoper ela não vai ti deixar em paz,enquanto não te mostrar os MV´s que ela gosta e nem deixar de secar o bias, para o meu azar,ele me mostrou artistas como G Dragon e detestei,seu cabelo,suas expressões e Crooked, de fato até hoje não consigo gostar desta canção,mas como sempre foi uma admiradora da cultura hip hop, antes daquela aula chata e cansativa do pré-universitário,ela resolveu me mostrar o que estava dançando…
    Em menos de 4 minutos eu estava completamente fascinada pelos movimentos e pela melodia daqueles 7 integrantes “idênticos” que pra mim o único que era reconhecível era o líder por ser alto e seu cabelo platinado está fugindo da toca. Quase que imediatamente pedi para que ela reprisasse, não satisfeita pedi o nome do grupo e a tal música,após ter estudado a matéria do dia em casa, me vi desesperada a procura daquele vídeo, logo se tornaram dias e semanas e não satisfeita,pesquisei sobre outras canções outras coreografias e um período de aceitação: A Palavra kpoper,ainda era dolorosa e agressiva. Para quem desde o ano nascimento ouvia Metal e com 7 passou a se fascinar por rock e se declarar “roqueira”,ser kpoper era vergonhoso…Com os meses, apenas me entreguei aquilo gênero que possuía diversos estilos e assumi sim:Sou Kpoper com orgulho!
    Adorei seu texto bem divertido e sincero o que representa ser uma fã desse gênero

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    1. Oi Luana, fico muito feliz que tenha gostado. E ler seu comentário e saber da sua história foi realmente um prazer. Eu tambem ouvia muito rock, muito jazz, e blues. Apesar de sempre ouvir muito musica pop e hip hop, além de ja ter muito contato com a cultura japonesa. No começo mesmo ouvindo muito Kpop, não me denominava kpopper no entanto fui me entregando com o tempo. Grande abraço e depois conte-me mais histórias! ^^

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